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Sinais da era Biden, por Pecuária Legal

15/02/2021 - Fonte:  Assessoria de Comunicação


Com a chegada de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos, a questão climática foi para o centro da política externa norte-americana.

As agendas geopolítica e econômica mundiais devem ficar cada vez mais atreladas à agenda ambiental. Nessa perspectiva, pode haver um contraponto de pressão internacional frente a escalada do desmatamento na Amazônia, cujos impactos negativos sobre a imagem brasileira hoje se fazem junto a nações amigas e mercado mundial. A tal ponto que, no final de dezembro de 2020, o representante da União Europeia em Brasília ponderou que, sem o Brasil assumir o compromisso de reverter a devastação na Amazônia, o acordo do Mercosul com os europeus terá dificuldades para decolar.

A volta dos Estados Unidos ao acordo de Paris e às alianças globais alimenta a partir de agora um maior otimismo mundial com as pautas ambientais. A nomeação do experiente ex-Secretário John Kerry como Embaixador Especial do Presidente para as mudanças climáticas mostra que o governo se prepara para ampliar e dar mais eficácia a suas ações nessa área. 

Esse sentimento positivo pode inflar as expectativas e a capacidade de articulação nas grandes metrópoles, principalmente entre jovens, aumentando a pressão por pautas ambientais e combate às mudanças climáticas. Programas de apoio ao desenvolvimento econômico devem aumentar a exigência de projetos sustentáveis e a não aceitação desse parâmetro colocaria em risco investimentos, financiamento internacional e talvez até acordos multilaterais.

A onda Biden também parece estar mobilizando o setor agrícola norte-americano. Neste momento inicial de governo, a discussão climática está presente em quase todas as políticas que começam a emergir na nova administração e até agora o setor rural parece estar engajado em fazer a sua parte. O que pode representar, no futuro, um desafio à competitividade do agricultor brasileiro frente ao concorrente norte-americano. Ou seja, mais um impacto sobre a visão tradicional extrativista do bioma amazônico, ajudando a mitigar o desmatamento ilegal e a fomentar a visão de uma Amazônia efetivamente protegida que atende ao Código Florestal e economicamente incorporada pelas regras que a ciência estabelece.

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Pilares da percepção

No mundo hiper conectado da hiper comunicação, precisamos começar pelas percepções que tornam a Amazônia hoje um bem precioso aos olhos do mundo, nos cinco continentes, entre lideranças e camadas sociais de maior poder influenciador. Entre esses públicos, circulam afirmações como:

·         A Amazônia retém mais carbono do que o mundo emite e liberar esse carbono na atmosfera provocaria consequências catastróficas.

·         Hoje, as emissões do desmatamento da Amazônia são uma das principais fontes de poluição climática, em níveis semelhantes ao de grandes economias como Japão e Alemanha.

·         A Amazônia influencia os padrões de chuva em regiões agrícolas importantes para a segurança alimentar mundial, como América do Sul e Estados Unidos.

·         O desmatamento na Amazônia traz o risco sanitário de desencadear novas doenças infecciosas na fronteira da floresta, com o encontro de pessoas e vida selvagem.

São apenas quatro posições, certamente com seu grau de controvérsia, mas que foram tiradas do Plano de Proteção da Amazônia -- Recomendações de Política para Ações dos EUA para as Florestas Amazônicas*, elaborado por um grupo de ex-funcionários do gabinete dos EUA e negociadores da diplomacia climática do país, ao longo de três décadas, desde a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em 1992. Outros pontos também são levantados no estudo e a eles ainda se somam fatos ou crenças percebidos como relevantes em diferentes quadrantes do globo, formando-se assim os pilares da percepção de Amazônia que circula mundo afora.

É esta realidade percebida (com o tempero de interesses econômicos e geopolíticos) que a questão da Amazônia, e o seu desmatamento em particular, passarão a enfrentar de modo crescente, sob o impulso das bandeiras climáticas da administração Biden. Trecho do relatório dos veteranos da diplomacia climática indica o tom que a pressão internacional pode alcançar, quando aplaude o novo governo “pelo compromisso de fortalecer a política climática dos EUA, reingressando no Acordo de Paris e mobilizando líderes mundiais para acelerar a ação global para enfrentar a crise climática”, que classifica como “ameaça existencial para a humanidade.” O estudo ainda aponta que “a conservação da floresta tropical conta com amplo apoio dos negócios e do público norte-americanos, bem como o apoio bipartidário no Congresso”.

O momento é de boa vontade

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Tudo isso pode se constituir em uma janela de oportunidade para o Brasil e para todos os atores envolvidos na questão do desmatamento da Amazônia. Não se trata agora de ceder ou não às pressões, tanto para o Brasil como para o movimento internacional pela defesa do clima. O momento agora é de construir uma proposta consensual de compromissos em torno de uma agenda ambiental válida para ambos os lados, antes que impasses (e equívocos diplomáticos) gerem becos sem saída nas relações internacionais.

O momento é de boa vontade. O Brasil tem expertise para prevenir e controlar desmatamento, tem uma lei consistente e com reputação internacional -- o Código Florestal Brasileiro. Tanto que o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia conseguiu, entre 2005 e 2012, reduzir o desmatamento anual de 27,8 mil km² para 4,6 mil km². Por sete anos caiu e depois voltou a crescer. Do ponto mínimo em 2012, mais que duplicou até 2019 (9,8 km²).

O que falta? Olhar o problema de frente e sem escamotear politicamente. Aplicar a Lei, regularizar a questão fundiária, aplicar a expertise fiscalizadora que acumulamos e resgatar compromissos com organismos internacionais ou países em condições de oferecer funding para essa cruzada. Mais um detalhe: embalada pelo potencial e provável otimismo ambiental da era Biden, a sociedade brasileira também pode ser protagonista importante nesse desafio, pois está potencialmente engajada ao lado das bandeiras climáticas e ambientais, no plano cultural e emocional.

E é para isso que veio a iniciativa Pecuária Legal, para mostrar que é possível crescer sendo um pecuarista dentro da lei, que trabalha de forma legal, preservando a Amazônia e, consequentemente, todo o mercado da carne (local e internacional).

(*) Amazon Protection Plan – Policy Recommendations for U.S. Action for Amazon Forests



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